SUPERMERCADOS BH: Uma Aula de Posicionamento de Marca!

imagem: Logo Supermercados BH institucional

SUPERMERCADOS BH: De uma pequena mercearia a uma gigante das aquisições no setor alimentício

Há histórias de negócios que impressionam pela escala. E há histórias que impressionam pela origem. A do Supermercados BH pertence às duas categorias.

Pedro Lourenço começou como carregador de caixas em supermercados de Belo Horizonte. Não havia capital herdado, nem rede de contatos privilegiada, nem formação em gestão. Nascido em uma família de lavradores em Paineiras, interior de Minas Gerais, ele chegou à capital aos 18 anos e foi construindo seu repertório operacional de baixo para cima: encarregado de estoque, repositor, vendedor, supervisor de vendas. Cada função era, na prática, uma aula de varejo. E foi com esse conhecimento — não teórico, mas visceral — que, em maio de 1996, Pedro Lourenço abriu sua primeira mercearia no bairro São Benedito, em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Ninguém apostaria, naquele momento, que aquela mercearia se tornaria a quarta maior rede supermercadista do Brasil.

A estratégia que ninguém estava olhando

O primeiro movimento de Pedro Lourenço já revelava uma leitura de mercado fora do comum. Sua estratégia inicial foi focar nas áreas periféricas da capital mineira e em pequenas cidades do interior — mercados que ele identificou como mal atendidos pelas grandes redes da época. Enquanto os concorrentes disputavam espaço nos grandes centros, ele ocupava territórios ignorados. Enquanto outros buscavam o consumidor premium, ele servia quem precisava, de fato, ser servido.

Abriu lojas onde havia pouca concorrência, apostou em produtos de marcas mais acessíveis e foi seguindo o rastro do crescimento do poder aquisitivo das classes C e D ao longo de quase três décadas. Esse não foi um posicionamento de ocasião — foi uma convicção estratégica sustentada no tempo. E é exatamente aí que reside uma das lições mais valiosas dessa trajetória: posicionamento de marca não é slogan. É decisão. É consistência. É saber para quem você existe e nunca perder isso de vista.

Nos primeiros anos, todo o lucro foi reinvestido na expansão do negócio, permitindo um crescimento orgânico acelerado. Não havia atalhos. Havia disciplina.

Crescimento que se constrói, não que se compra

À medida que a rede ganhava musculatura, Pedro Lourenço adicionou uma segunda camada à sua estratégia de expansão: a aquisição de unidades de supermercados que não obtinham sucesso para reformá-las e integrá-las à rede. Era crescimento inteligente — não pela compra de força, mas pela compra de potencial mal aproveitado.

Em 2004, para financiar a expansão, precisou vender 40% de sua operação. Uma concessão difícil, mas calculada. A visão de longo prazo prevaleceu sobre o controle de curto prazo. E o resultado dessa escolha veio com o tempo: em 2018, a rede já havia ultrapassado 200 unidades em Minas Gerais.

O passo seguinte foi ainda mais revelador sobre a maturidade estratégica do negócio. Em 2023, o Supermercados BH deu seu primeiro movimento para fora de Minas Gerais, adquirindo 34 lojas do Grupo DMA no Espírito Santo. E em 2025, veio a aquisição mais expressiva da história da rede: 54 lojas da rede Bretas, oito postos de combustíveis e um centro de distribuição, em uma negociação que totalizou R$ 716 milhões.

Hoje, a rede conta com mais de 400 lojas ativas, distribuídas em 114 municípios de Minas Gerais e 13 municípios do Espírito Santo. O faturamento anual ultrapassa R$ 25 bilhões, e a empresa ocupa a quarta posição no ranking nacional da ABRAS, liderando com folga o mercado mineiro.

O que o caso BH ensina sobre posicionamento

Existe uma tentação recorrente no mundo dos negócios: crescer para além da própria identidade. Muitas redes que começaram com um propósito claro diluem sua essência à medida que escalam — tentam ser tudo para todos e acabam não sendo nada para ninguém.

Pedro Lourenço fez o oposto. Ao longo de quase três décadas, o Supermercados BH manteve a coerência do seu posicionamento: proximidade, acessibilidade e enraizamento regional. A marca nunca tentou competir com o luxo do varejo premium. Ela construiu autoridade onde realmente importava — na vida cotidiana de milhões de famílias mineiras.

E isso tem um valor estratégico que nenhuma aquisição compra isoladamente: confiança. O consumidor não escolhe uma rede supermercadista apenas pelo preço ou pela localização. Ele escolhe pela familiaridade, pela consistência da experiência e pelo sentimento de pertencimento que a marca gera ao longo do tempo.

O próprio Pedro Lourenço sintetiza essa visão: “O crescimento do Supermercados BH é, antes de tudo, um reflexo da confiança dos nossos clientes e da força do nosso time. Temos muito orgulho da trajetória construída com trabalho, simplicidade e foco em pessoas.” Cidade Conecta

Simplicidade. Essa palavra, vinda de um fundador à frente de uma empresa que fatura R$ 25 bilhões ao ano, não é modéstia. É estratégia.

O fundador como símbolo da marca

Há outro elemento que diferencia o caso BH de muitas histórias de crescimento corporativo: a figura do fundador nunca se descolou da marca. Pedro Lourenço não é apenas o dono — ele é, em alguma medida, a própria narrativa do negócio. Um homem que começou carregando caixas e construiu uma das maiores operações de varejo do país é, por si só, um posicionamento. É prova viva de que a empresa conhece o chão que pisa.

Esse protagonismo do fundador funciona como um ativo intangível poderoso. Ele humaniza a marca, ancora seus valores e confere credibilidade à narrativa de crescimento. Em um mercado onde grandes grupos são percebidos como distantes e impessoais, a história de Pedro Lourenço comunica o oposto — e isso vale muito.

A trajetória do Supermercados BH não é apenas uma história de expansão. É uma aula sobre o que acontece quando um negócio sabe exatamente quem é, para quem existe e tem disciplina suficiente para honrar esse compromisso a cada nova loja inaugurada, a cada aquisição concluída, a cada mercado que decide entrar.

Posicionamento não é o que você diz sobre si mesmo. É o que você prova, ano após ano, com cada decisão que toma.

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