Se você quer proteger o nome ou o logotipo de um negócio, o caminho é o registro de marca. Se desenvolveu uma solução técnica, pode fazer sentido avaliar uma patente. Essa diferença vem antes de qualquer pesquisa: procurar nomes de marcas não revela o que já existe em determinada tecnologia.

A busca de patente investiga documentos e soluções anteriores para orientar decisões de desenvolvimento e proteção. Ela começa no problema técnico e precisa olhar além das fronteiras brasileiras.

Marca ou patente: o que você quer proteger?

Proteção O que está em análise Exemplo
Marca O sinal que distingue produtos ou serviços no mercado. Nome e logotipo de uma linha de equipamentos.
Patente Uma invenção ou um modelo de utilidade que cumpra os requisitos legais. Um mecanismo técnico desenvolvido para um equipamento.

Uma bomba de irrigação pode ter seu nome protegido como marca e um mecanismo analisado para patente. As proteções podem coexistir, porque recaem sobre aspectos diferentes do produto.

Para pesquisar um nome, siga o nosso guia de consulta de marca no INPI. Para uma solução técnica, a pergunta muda: o que ela faz, como funciona e o que já foi divulgado sobre isso?

O que é estado da técnica — ou “estado da arte”?

“Estado da arte” é uma expressão comum na pesquisa e na inovação. No exame de patentes no Brasil, o termo da Lei de Propriedade Industrial é estado da técnica: o conhecimento tornado acessível ao público antes da data relevante para a análise, consideradas as regras de depósito, prioridade e exceções legais.

Esse conjunto pode incluir pedidos de patente publicados, artigos científicos, teses, catálogos, manuais, demonstrações públicas, vídeos e produtos já divulgados. O conteúdo técnico, a data e a possibilidade de acesso público precisam ser verificados.

Por isso, não encontrar um produto à venda não prova novidade. Uma solução pode ter sido descrita em um documento e nunca ter chegado às lojas.

Por que uma busca de patente precisa olhar para o mundo?

Para avaliar novidade, a pesquisa não se limita ao que foi depositado no INPI. Uma divulgação anterior no exterior também pode ser relevante, mesmo em outro idioma e sem patente correspondente no Brasil. A OMPI trata essa abrangência internacional ao explicar a busca de anterioridades.

Imagine um pedido publicado no Japão que já descreva a mesma solução técnica. A ausência de proteção brasileira não apaga essa divulgação: ela pode comprometer a novidade de um pedido posterior aqui. A comparação depende do conteúdo e das datas, não apenas de títulos parecidos.

A anterioridade pode estar em qualquer lugar do mundo. A proteção da patente depende de cada território.

Existe patente mundial? Entenda território, prazo e PCT

Não existe uma concessão única que proteja automaticamente uma invenção em todos os países. A proteção precisa ser obtida nos territórios de interesse, conforme os procedimentos nacionais ou regionais aplicáveis.

O PCT, administrado pela OMPI, permite apresentar um pedido internacional e organizar a busca de proteção em diferentes países. A concessão continua sob responsabilidade dos escritórios nacionais ou regionais. Um número de publicação WO não significa, por si só, uma patente concedida no mundo inteiro.

A proteção também é temporária. Segundo o INPI, os prazos brasileiros são, em regra, de 20 anos para patentes de invenção e 15 anos para modelos de utilidade, contados do depósito. É necessário conferir a situação jurídica de cada processo.

Onde fazer uma busca de patentes no INPI e no exterior?

Há bases gratuitas para uma primeira pesquisa. O INPI reúne acessos a bases nacionais e internacionais. Entre as principais estão:

  • Base do INPI: para pedidos depositados no Brasil e informações dos respectivos processos.
  • Espacenet: base do Escritório Europeu de Patentes, com documentos de diversos países.
  • PATENTSCOPE: base da OMPI, com pedidos PCT publicados e coleções nacionais e regionais.

Pesquise também literatura científica e outras divulgações públicas relevantes. Uma busca restrita a documentos de patente pode deixar de fora informações importantes.

Como pesquisar: comece pela solução técnica, não pelo nome

O nome comercial do produto raramente descreve tudo o que importa. Um roteiro inicial é:

  1. Descreva o problema: qual dificuldade a solução enfrenta?
  2. Identifique os meios técnicos: componentes, etapas e relações que produzem o resultado.
  3. Varie os termos: use sinônimos técnicos e expressões em outros idiomas, especialmente inglês.
  4. Explore classificações: IPC e CPC ajudam a localizar tecnologias por assunto.
  5. Leia além do resumo: compare descrição, desenhos e reivindicações dos documentos relevantes.
  6. Registre as evidências: datas, números de publicação, referências e diferenças técnicas encontradas.

Ao encontrar um documento importante, investigue suas citações e sua família. Conforme explica o EPO, famílias reúnem pedidos relacionados por prioridades e conteúdo técnico. Os membros podem ter decisões e escopos distintos em cada território.

Encontrar algo parecido impede obter uma patente?

Não necessariamente. A semelhança precisa ser analisada tecnicamente. Uma característica conhecida pode integrar uma solução com diferenças relevantes; acrescentar uma função ou trocar um componente também não garante patenteabilidade.

Para invenções, a análise envolve novidade, atividade inventiva e aplicação industrial, além das demais exigências legais. Modelos de utilidade têm critérios próprios, ligados à forma ou disposição de um objeto e à melhoria funcional. A busca oferece evidências para essa avaliação; não substitui o exame do INPI.

Busca de patenteabilidade e liberdade de operação são diferentes

Análise Pergunta principal
Anterioridades e patenteabilidade O que já foi divulgado e como isso afeta a possibilidade de proteger a solução?
Liberdade de operação — FTO A operação planejada pode atingir direitos de terceiros nos países em que será realizada?

Uma publicação antiga ou uma patente extinta pode continuar relevante como anterioridade, mesmo sem representar um direito vigente contra aquela operação.

Já a análise de liberdade de operação considera, entre outros pontos, reivindicações, vigência, situação dos processos, pedidos pendentes relevantes e territórios de fabricação ou comercialização. Uma patente sobre uma melhoria pode coexistir com direitos anteriores sobre tecnologia necessária para utilizá-la.

Ser potencialmente patenteável não equivale a estar liberado para fabricar ou vender.

O que a busca permite decidir antes de investir?

A leitura da Changer é que a pesquisa deve orientar decisões concretas: seguir com o desenvolvimento, alterar uma característica, aprofundar a avaliação de patenteabilidade ou investigar uma oportunidade de licenciamento.

No Método Changer, isso conecta três etapas: Constituir, para organizar a solução e sua titularidade; Proteger, para definir o objeto e a estratégia; e Expandir, para avaliar mercados e formas de exploração.

Preserve a confidencialidade antes de apresentar detalhes técnicos em feiras, vídeos ou propostas. Divulgações próprias podem afetar a proteção, e eventuais períodos de graça variam entre países. Também existem pedidos ainda não publicados: nenhuma pesquisa deve ser tratada como certificado de inexistência de anterioridades.

Antes de investir na proteção, entenda o que já existe.

A consultoria estratégica de marcas e patentes da Changer ajuda a definir a análise adequada à solução e à etapa do negócio.

Fontes consultadas

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